Crusoé: Na África do Sul, partido hegemônico terá problemas pela primeira vez

07/06/2024

Mundo

Congresso Nacional Africano, que governava sozinho o país desde a posse de Mandela, perdeu a maioria. Agora, terá de formar uma coalizão para se manter no poder

Fonte: Foto: Foto: ANC via X

dia ia chegar — e fatalmente chegou, no último final de semana: pela primeira vez em 30 anos, o Congresso Nacional Africano (CNA), principal partido político na África do Sul, perdeu a maioria que tinha no parlamento do país. O CNA ainda terá a maior bancada mas, pela primeira vez desde que Nelson Mandela foi eleito em 1994, o partido terá de negociar e compor com outras forças menores no país.


Os números revelaram uma tendência de queda da bancada do partido que vinha durando uma década e meia: se em 2007 o partido tinha conseguido 297 cadeiras de um total de 400 na Assembleia Nacional, o número foi murchando até que em 2019, eram 230. Agora, o CNA deve ter 159 cadeiras, o que terá de forçá-lo a negociar e barganhar políticas públicas


]A série de fatores que causou a queda do partido, um dos principais do continente, inclui uma economia em frangalhos, sem crescimento real desde 2008 e com incríveis 32,1% de desemprego entre a população ativa. Com quase 55% da população vivendo abaixo da linha da pobreza, segundo o Banco Mundial, a sensação da maioria negra no país é de decepção com o partido, que passou a colecionar escândalos de corrupção desde que Jacob Zuma assumiu o cargo, em 2009.


Figura forte dento do CNA, Zuma resistiu até 2018 no cargo, quando foi afastado e Cyril Ramaphosa passou a ocupar o cargo que mantém até hoje.

Fonte(s): Agência da notícia