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Marcos Santos/USP Imagens/Fotos Públicas

FOTO: Marcos Santos/USP Imagens/Fotos Públicas

PIB em queda: momento de 'reprimarização' da economia brasileira

Um estudo do IBGE divulgada na última quarta-feira (29) mostrou que o PIB brasileiro sofre uma queda de 0,2% no primeiro trimestre de 2019 em comparação com o último trimestre do ano passado. A Sputnik Brasil conversou com o economista Heitor Silva sobre o que isto representa para o atual cenário econômico do país.

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De acordo com o IBGE, no primeiro trimestre de 2019, o PIB totalizou, em valores correntes, R$ 1,714 trilhão, sendo R$ 1,462 trilhão referentes ao Valor Adicionado (VA) a preços básicos e R$ 251,5 bilhões aos Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios.

Trata-se da primeira queda do PIB desde o quarto trimestre de 2016. No último trimestre de 2018 foi registrado o aumento do PIB de 0,1% em comparação com o terceiro trimestre de 2018.

Segundo o economista e professor da Univeritas e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Heitor Silva, que conversou com a Sputnik Brasil, a economia brasileira está vivendo um período de "reprimarização".

"Nós estamos vivendo um momento de reprimarização da economia brasileira. Reprimarização é a ideia de que o PIB brasileiro, a indústria, estaria tendo cada vez uma menor participação. Nesse ritmo que se mantêm nós vamos acabar nos transformando numa república das bananas", declarou.  

Ao ser questionado se a instabilidade política é um fator importante para os índices de crescimento, o especialista afirmou que a principal causa para a queda do PIB é o desemprego.  

"O que está puxando essa queda do PIB basicamente é desemprego. O mercado fala em instabilidade política, mas quando você pega os números você vê que é um processo que já vem há algum tempo e não é desse período eleitoral. Então na verdade o que nós estamos tendo é uma regressão da economia brasileira. Nós estamos tendo um desemprego crescente, já estamos na cas de 14 milhões de desempregrados", destacou o economista, observando que o único setor que cresceu foi o de serviços, que teve um crescimento de 0,2% apenas. 

De acordo com Heitor Silva, o Brasil necessita de uma política industrial para recuperar o crescimento. 

"Falta uma política industrial, falta incentivo para a indústria, falta apontar para quais setores que a economia brasileira deve crescer. Como o governo tem uma paralisia, parece que a reforma da Previdência, reduzir os custos no trabalho, é a total solução para os problemas, então não se aponta uma política industrial que possa fazer o país voltar a crescer", destacou. 

"Se a gente retoma as contratações, o mercado interno responde rapidamente e a gente resolve dois problemas: a gente resolve o problema do PIB e resolve também a necessidade da reforma da Previdência, porque o déficit da Previdência acontece por termos mais saída do que entrada de recurso, se você volta a crescer, novos trabalhadores entram e a contribuição aumenta", completou o especialista. 

 

 

FONTE: Sputnik Brasil
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